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Impressões



Somos resultado de uma mistura de impressões diversas que produzimos e absorvemos nas mais variadas situações. Diariamente, vamos cumprindo nossos roteiros, desenvolvendo nossos planos e lidando diretamente com pessoas distintas, com as quais nos relacionamos para contribuir, aprender, ensinar, construir, divertir e amar. Porém, muitas vezes, as impressões emanadas destas relações nos corrompem a lógica criando fantasmas inexistentes. Somos contaminadas por impressões de que não estamos agradando, impressões de que não estamos sendo suficientemente amáveis, ou suficientemente produtivas. Temos impressão de que algo está errado, mas não conseguimos identificar o que, nem o motivo. Ficamos impressionadas com pequenos gestos alheios que parecem por vezes rudes, amáveis demais, desagradáveis, ou ainda muito pretensiosos. Nos exigimos cada vez mais, pois queremos passar uma impressão de controle absoluto, de perfeição - aquela que já aprendemos que não existe. Buscamos interpretar ações, palavras e atitudes, de forma que nos colocamos no centro da atenção de uma roda da qual não fazemos parte. E assim,  não passamos uma boa impressão, e com isso sofremos ao interpretar um simples bom dia, ou pequenas mudanças de gestos. E basta um dia de reflexão para que possamos reorganizar as ideias e retomar nossas certezas. Percebemos que não precisamos impressionar ninguém, nem podemos nos deixar impressionar pelos outros. Sensações são meras sensações, não concretizam atitudes. Seguimos então sendo nós mesmas, com nossos próprios medos, nossos comportamentos típicos e nossas manias antigas. Continuamos sinceras nos nossos relacionamentos, agindo do nosso modo peculiar, dizendo o que pensamos sem nos impressionar com o externo e sem importar com as impressões que podemos causar.

Sentimentos racionais


Na batalha diária por reconhecimento e vitórias, muitas vezes deixamos de lado a preocupação com os sentimentos. Tornamo-nos duras, objetivas e ignoramos as sensações. Desviamos do emocional e nos vinculamos fortemente ao racional. Racionalidade que acreditamos ser a chave do sucesso, ela que sempre nos despeja eventos concretos e efetivos.
Em meio a esse turbilhão de verdades, aonde se aloja o sentimento mais puro e conservador de felicidade e anseios? Por onde andam as alegrias e os devaneios? Estariam eles esquecidos em algum lugar do coração, ou apenas adormecidos em latente vida estranha?
Lutamos contra a imaginação que se fertiliza em um segundo apenas, nos inebriando de carinho e medo. Estamos ficando duronas, ou apenas escondendo os sentimentos? Somos mulheres fortes, conscientes da vida...temos força que nos seca e força que nos invade a alma.
Estaríamos simplesmente deixando de lado boa parte do nosso ser mais íntimo, ou apenas apurando o viés da clareza? Certeza não temos de nada, acreditamos e ignoramos premonições. Estamos frias e calculistas, e ao mesmo tempo doces e apaixonadas.
O que nos falta é tempo para refletir, pensar nos nossos desejos e lutar pelos afetos. Nossas vidas são como uma receita, precisamos de todos os ingredientes bem dosados num equilíbrio perfeito.
Objetividade não exclui paixão. Racionalidade não afasta a intuição. Seres humanos vivem do amor, se norteiam pela fé, se nutrem pelo ódio. Precisamos unificar objetividade e vida em uma só palavra, em uma só atitude.