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Constatações

Se somos fracas? Por vezes sim, mesmo quando nos acreditamos insuperáveis. Se somos amáveis? Dominamos as emoções e conseguimos externalizar um pouco de empatia, nem que seja por insistência. Se somos realistas? Claro! Acreditamos numa vida cor de rosa e nas maravilhas do mundo. Nos contentamos com as belezas externas e, logo acordamos para a dureza do ser humano. "Se" somos realistas...Se somos úteis? Tentamos, nem que seja aos nossos próprios planos egoístas. Mas, somos com certeza úteis "aos" que amamos e úteis "ao" que amamos. Se somos honestas? Definitivamente, nosso perfeccionismo nos reforça a verdadeira honestidade. E diante da apuração dos fatos, nos cobramos e nos punimos. Se somos verdadeiras? A depender da situação, da conveniência, do envolvimento...não, buscamos constância na verdade, embora nem sempre acreditamos nela. Se somos batalhadoras? Algumas de nós sim, outras acreditam ser, sem nunca terem sido. 

Se somos uma só? Com toda a fraqueza, amabilidade e com todo o realismo e utilidade. Sim, com fundamento na honestidade, na verdade e na batalha! Somosumaso. 

Racionais ou Passionais

Certo dia me peguei conversando com grandes amigas sobre a forma como lidamos e encaramos a vida e seus acontecimentos. Discutimos sobre duas características mais marcantes e visíveis aos olhos de quem está a nossa volta, e chegamos à conclusão que poderíamos estar divididas em dois simples grupos: o das passionais e o das racionais. 

Faço aqui a ressalva de que essa divisão é meramente lúdica, pois, no íntimo, sabemos que somos fruto da fusão de diversos sentimentos e características, bem como nunca estaríamos rotuladas em uma só palavra. Mas, para quem inventou a brincadeira, vamos logo às conclusões! O teste funcionou, porém falhou. Ninguém  acertou, mas todas acertaram! 

Mulheres passionais: calmas e tranquilas, até quando recebem o alerta de perigo. Sentem muito amor, muita dor, muita saudade. São infinitamente calorosas, choram, desabafam, são impulsivas e ainda raciocinam antes de esbravejarem. Perdoam por amor, tem o coração mole, lutam com extrema força, empenham todos os seus esforços, sabem esperar, conhecem seus limites, finas estrategistas, perfeitas dominadoras, demonstram coragem, esbanjam sorrisos, são extremamente passionais!

Mulheres racionais: nervosas, ansiosas, desconfiadas. Embora acreditem ser um sinal de fraqueza, por vezes não conseguem engolir o choro. Choram, choram com vontade, mas sabem quando e de quem se esconder. Amam com intensidade e fazem planos a todo momento! Decepcionam-se com mais facilidade. Pensam no plano B, traçam a estratégia para se reerguer. Não desanimam nunca, ou mudam a meta e se desanimam demais. Pensam, pensam, pensam, desistem do plano e deixam o barco correr. Perdoam quando acreditam na justiça. Sensíveis aos elogios, avessas à fraqueza. Acreditam conhecer seus limites. Colecionam sucessos, vitórias e amores. Extremamente racionais! 

Eu? Um pouco disso, um pouco daquilo...

Vocês? Ah, com certeza também não se encaixam em um só grupo...são mulheres...daquelas mais perfeitas que existem!

Simplesmente porque somos passionais e racionais simultaneamente! Amamos com intensidade sim, mas também com a moderação da expressão de sentimentos! Choramos igualmente, por vezes raivosas, por vezes desabafando. Nutrimos nossas raivinhas, ora passageiras, ora cicatrizes. Acreditamos no amor, o perseguimos. Erramos na passionalidade, agimos com racionalidade. Exageramos na racionalidade, dosamos com passionalidade. Enfim, somos mulheres, somos tudo junto e misturado. Somos sentimentos calmos, agitados, somos certezas e dúvidas. Somos paixão, somos razão. Não temos fórmula, não viemos com manual de instrução, não temos roteiro certo, às vezes temos o plano perfeito. Somos perfeitas! Somos uma só! 

Estamos sempre juntas


              


Somos uma só alma e um só coração em todos os sentidos. Compartilhamos nossas alegrias e euforias, mas também nossas crises e tristezas. Não somos alheias ao mundo, absorvemos a dor do próximo e  nos envolvemos no sofrimento. 
Somos solidárias desde os problemas da humanidade até os das pessoas que mais amamos no mundo. Motivos não há para a sintonia, ela simplesmente existe. Sintonia que nos torna uma só e nos incentiva a buscar o amor supremo. 
E dessa forma nos aproximamos, chegamos de mansinho, sem querer ser notadas, mas tentando colorir os horizontes, trazer vida e luz nos momentos mais íntimos. Invadimos as casas com nossos pensamentos positivos e com nossas ondas de orações. 
Emanamos o bem e queremos a felicidade. Somos cúmplices, sabemos que nem sempre nossa solidariedade é suficiente, mas não desistimos nunca. Estamos aqui sempre, nunca deixaremos de estar. Somosumaso nesse mundo e estaremos juntas para o que der e vier. 
Enfrentaremos nossos medos unidas, dividiremos nossos anseios, saberemos nos retirar quando preciso, mas estaremos sempre por perto. E digo sempre! 

Somosumaso


                

Vivemos em nossa pequena redoma, circundadas por pessoas que têm mesmas impressões acerca dos eventos da vida, crescemos em meio aos iguais e acreditamos que nosso maior desejo é fazer parte do grupo. 

Queremos ser inseridas na pequena elite que elegemos como felizes e monitoramos nossos próprios passos  em busca do comum, do usual, do igual. Temos preconceitos como todas, e somos bondosos como todas. Vivemos uma vida pacata e recheada de exemplos a seguir. Mas em meio a esse rebanho de mulheres iguais, com destinos provavelmente semelhantes, muitas vezes nos esquecemos de olhar para nós mesmas e de perceber o quão únicas  somos no mundo. 

Cada uma com seu detalhe especial, suas manias e seus pequenos defeitos que nos tornam perfeitas. Somos pessoas distintas da multidão, cada uma tem sua luz própria e seu brilho que realça em intensidades que variam com a situação. Umas mais emotivas, outras mais racionais, umas duronas, outras melancólicas, umas sonhadoras, outras desapontadas, umas vaidosas, outras seguras de si mesmas. 

Enfim, andamos no rebanho e nele nos projetamos, mas devemos ter em mente a claridade de nossas diferenças, as quais nos unem àquelas a quem amamos, divergências essas que produzem as afinidades e os desencontros. Somosumaso, mas cada uma é sua própria imagem, seus próprios conceitos, sua própria personalidade. E não deixamos de ser uma só! Uma só mulher no universo das mulheres! 

Somosumaso no outubro rosa


Envolvidas até a cabeça na causa da luta contra o câncer de mama, Somosumaso saiu em busca de vivências e relatos pessoais de mulheres que conseguiram superar o diagnóstico e voltaram a viver tranquilamente nos seios de suas famílias.

Com muito cuidado e delicadeza, procuramos entender os sentimentos envolvidos com o tratamento contra o câncer e procuramos identificar quais as perguntas mais frequentes das mulheres recém-diagnosticadas, de forma a ajudar outras mulheres que passam ou passarão por situação semelhante.

Acreditamos no poder da mente sobre o corpo físico e compreendemos que cada mulher deve ser tratada como única e respeitada durante sua jornada.

E apresentamos aqui o emocionante relato de D. Margarida, uma senhora muito querida, amiga e incentivadora do Somosumaso, dotada de enorme força e incrível coragem para expor seus sentimentos e dividir com outras mulheres o aprendizado que a cura lhe proporcionou.

Desde já, agradecemos do fundo do coração a essa vitoriosa Mulher que há muito conhecemos em outra situação de batalha pela vida!










O que passou pela sua cabeça no instante imediato em que recebeu o diagnóstico? E nos momentos seguintes?

No instante imediato eu senti insegurança e medo quanto ao sucesso do tratamento. Com o tempo fui me acostumando com a ideia. Por ter sido no início, eu sabia que o tratamento não seria fácil, mas bem sucedido.

A Sra. acredita que o conhecimento que possuía antes do diagnóstico era suficiente à prevenção?

Sim. Pois conhecendo o corpo, qualquer modificação é perceptível. Foi dessa forma, através do autoexame, que eu descobri o nódulo na mama.

A Senhora acredita que as mulheres hoje em dia estão realmente esclarecidas sobre os exames preventivos? Se não, seriam falhos os meios de comunicação, as campanhas ou as políticas de saúde?

Na minha opinião, as campanhas estão conscientizando as mulheres, mas as políticas de saúde muitas vezes são falhas. Além disso, também existe a questão da falta de tempo das mulheres de procurarem um atendimento especializado.

Em algum momento lhe faltou esperança? O que a Senhora diria a outras mulheres que atualmente estão na luta diária contra o câncer?

Em momento nenhum me faltou esperança, pois sabia que estava sendo bem acompanhada pela equipe do Hospital. Procurei ficar o mais tranquila possível, mesmo durante as internações, devido à baixa imunidade. Procurei também ocupar meu tempo fazendo coisas que tornavam a situação mais suave.

Digo a outras mulheres que tenham fé e que tenham certeza que o tratamento será bem sucedido. É necessário manter a calma e ocupar a mente com atividades que as deixem alegres, assim o problema será enfrentado com menor dificuldade.

Quais as mudanças que a Senhora percebeu em seu corpo que afetariam a vaidade feminina e acredita que interferem na "virilidade" feminina?

Foi minha opção ter feito a mastectomia total. Em nenhum momento me sinto mal por ter retirado a mama para o sucesso do tratamento. Não tenho vontade de colocar prótese, estou bem e procuro compor a falta do seio de outra forma, por exemplo, com sutiãs de silicone.

O que a Senhora acredita ter sido a causa de sua doença? Algo físico ou emocional? Seria o câncer um carma?

As coisas nos acontecem para que possamos aprender e cumprir a nossa missão aqui na terra.

A Senhora se envolveria em uma campanha efetiva contra o câncer de mama nos dias de hoje? 

Sim, porque posso servir como um exemplo.

O que a Sra. pensa sobre a campanha "outubro rosa"? Acredita em sua efetividade?

Acho válida, mas a campanha deveria ser feita durante o ano inteiro e em todos os locais. Principalmente com pessoas menos esclarecidas.

O a motivou a continuar tão serena durante o tratamento?

O amor à minha família, e, principalmente, a mim mesma.

Em uma reflexão de sua história, quais foram as situações de maior dificuldade e quais as que a trouxeram mais alegrias?

As maiores dificuldades foram as três internações, devido à baixa imunidade que a quimioterapia pode causar. Meu histórico de saúde também já não era favorável, o que fez com que as internações fossem muito longas e sofridas.

A companhia e carinho da minha família e de nossos amigos. Revi pessoas que há muito não encontrava e pude perceber como existem pessoas boas nesse mundo. (Alegrias)

Pensar em Deus para você é:

Tudo.

O que te motiva a viver?

O amor.

Qual é o seu lema de vida?

Paciência, Viver, ser feliz e cooperar com a felicidade de outras pessoas.

Em algum momento você já pensou em desistir?

Nunca!

Como foi contar para sua família o diagnóstico? Qual a reação de todos?

Minhas filhas estavam comigo na hora que a mastologista confirmou o que elas já previam. No momento, a reação foi de tristeza, mas ambas ficaram confiantes e me passaram força e segurança.

Quais os conselhos você daria para as nossas seguidoras?

Que façam o autoexame de mama e, anualmente, vão ao ginecologista para fazerem o exame preventivo. E que, se forem diagnosticadas, que se mantenham calmas, procurem ocupar o tempo com as atividades que gostam e evitem pessoas negativas.