A sinceridade do olhar

Um olhar pode revelar mais do que mil palavras e ações, pode permitir ou negar, abrir ou fechar, concordar ou abominar. 

Um olhar pode ser a mais fiel identidade de uma pessoa, aquilo que ela não consegue esconder, muito menos dominar. 

O olhar tem vida própria, quando as lágrimas vem, não há como controlar. Quando a raiva se instala, também o olhar se enrijece. Nos momentos de paixão, um brilho excessivo emana dos olhos que parecem ter a cor perfeita. 

O olhar demonstra sentimentos, aparenta sensações, provoca reações, incentiva decisões, indica o prazer e a tristeza, proporciona dúvidas, aponta a calma ou a angústia. 

O olhar pode ser uma arma, ou uma válvula de escape. Representa a ambiguidade, força e fraqueza, beleza e cansaço, malícia e sabedoria. 

O olhar transmite a mais pura sinceridade, os olhos são a janela da alma. 

Insegurança

Envolvida por um evento isolado em que me peguei um tanto insegura quanto a uma decisão nada difícil de se tomar, me coloquei a refletir sobre o significado e os efeitos desse sentimento em nossas vidas. Percebi que por mera insegurança deixamos de realizar grande parte de nossos sonhos. Recuamos diante de decisões e atitudes sobre as quais já pensamos e repensamos por horas, sobre as quais já temos certeza, apenas não a admitimos. Temos um potencial de reflexão que controlamos perfeitamente enquanto simples pensamentos, mas quando nos deparamos com a necessidade de colocar toda essa reflexão em prática, a insegurança cria um obstáculo ao próprio comportamento. Assumir nossas opiniões não parece tarefa fácil para ninguém, bancar nossas atitudes pode ser um tanto aterrorizador enquanto nos colocamos diante do julgamento alheio. As consequências nos sugam à realidade abruptamente e os efeitos nos fazem buscar a perfeição. Pode-se dizer que a insegurança caminha junto com a responsabilidade, crescendo nos mesmos níveis enquanto no meio social. Ela é inata ao ser humano e deve ser vem moldada ao longo da vida. Todos são inseguros em algum aspecto, seja no relacionamento, seja no trabalho, ou ainda no momento de tomar qualquer decisão de grande importância. Mas esse sentimento deve ser bem dosado sob pena de nos enfraquecer e até mesmo nos anular. Há situações que nos exigem posturas automáticas e impulsivas, para as quais não há espaço para os medos. Percebo que se por um lado a falta de segurança é um freio natural do universo para evitar que tenhamos decepções, por outro representa a estagnação. Devemos trabalhar nosso controle de positividade  para nos sentirmos seguras em tudo o que realizamos na vida. A segurança se relaciona diretamente ao conhecimento, ao domínio da matéria e à capacidade de questionar. Sem ela nossas vidas são lineares e pacatas, porém sem conquistas e sem sucessos! Sem ela não podemos tentar, perdemos a chance de construir, não entramos no campeonato. Por isso, precisamos lutar contra este sentimento, trabalhar nosso controle de emoções e assumir nosso conhecimento com coragem para encarar toda e qualquer consequência de cabeça erguida, afinal, "quem sai na chuva é para se molhar". 

Malabarismo da vida

Uma vez escutei de uma pessoa, que julgo extremamente sensata, que a vida é composta por vários cenários distintos que coexistem e por vezes se sobrepõem. A comparação ficou perfeita com o trabalho de um malabarista que deve manter vários pratos no ar ao mesmo tempo, evitando que caiam no chão. Assim também aconteceria com a vida. Meus pratos representariam a profissão, o casamento, a família, a vida acadêmica, a vida social, a intimidade, a saúde e os filhos. Talvez encontraria outros pratos, afinal, ao longo da vida novas pretenções e responsabilidades vão surgindo. Percebi que há sempre um prato necessitando de maior concentração e dedicação momentânea, aquele que está por cair, mas é impedido de chegar ao chão quando encosta na mão do malabarista, que rapidamente o impulsiona no ar. É preciso manter um equilíbrio constante, o que determina o alcance da satisfação pessoal e da paz de espírito. Impulsos externos poderão afetar a desenvoltura dos pratos no ar, nos exigindo sensibilidade para contornar os obstáculos. Embora exigidos em excesso em algumas áreas, devemos ter a coragem necessária para dosar a dedicação, para detectar o iminente perigo da negligência, para identificar quando reduzir ou aumentar o número de pratos e, por fim, para identificar quando um prato deve ser substituído por outro simplesmente por estar gasto demais. A analogia permanece com a vida, e os pratos se mantém girando em plena harmonia com a gravidade, com o vento e com o coração. 

Brainstorming noturno

Numa noite de sono perdida o pensamento se encontra em ritmo de trabalho árduo. A rapidez dos insights causa tamanha inquietude diante de um universo que não permite desperdício de tempo. Aquele tempo tão escasso durante o dia, incapaz de compilar todos os planos e todas as metas traçadas, na madrugada se mostra infinito. Indiscriminadamente, surgem questionamentos sobre os feitos do dia anterior, sobre as decisões já tomadas e as que estão pendentes de definição, reflexões sobre caminhos escolhidos e realizações. Pessoas vêm à mente, palavras ecoam como prova de comportamentos que não admitem volta. A sensatez cede lugar ao medo e à ansiedade e, num looping de sentimentos, retorna de onde parou, fortalecendo a decisão já tomada. A noite avança, e com ela o brainstorming. Tempestade esta que afasta a zona de conforto, permitindo indagações acerca da natureza, da origem, das conclusões...e então, o dia amanhece. A claridade na janela acende a luz da realidade, afugenta os medos e cicatriza as emoções. 

Sentimentos de solidão

Sentimentos de solidão se alternam com sentimentos de alívio e satisfação por estar no centro da nossa própria vida. A ausência de nossos queridos nos remete a uma imensidão de realidade que nos cobra decisões, objetividade e metodologia. Por vezes nos aproximamos de pessoas certas para companhia temporárias, outras vezes distanciamos das pessoas erradas, por força da nossa intuição, ou por influência dos anjos que nos guardam. Recordamos de momentos felizes, e relaxamos ao percebermos que nos safamos dos momentos tortuosos. Solidão demais não faz bem à alma, torna a pessoa vazia e desmotivada com os problemas e a vida alheia. Por outro lado, se bem dosada, nos mostra o quanto somos capazes de viver em paz e em harmonia com nossos próprios corações. Solidão não faz mal, mas também não faz tão bem. Deve ser colocada como uma fase de vida, passageira para alguns, demorada para outros, sempre conforme a necessidade do coração que lateja querendo viver.